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Pesquisa da Unitau estuda a manutenção do vírus da dengue em Taubaté


Estudo desenvolvido na instituição buscou entender a transmissão do vírus por meio da mosquito-fêmea para a prole

Pesquisa da Unitau estuda a manutenção do vírus da dengue em Taubaté Estudo foi realizado durante oito meses (Foto: Acervo pessoal)
Publicado em 25/08/2018 17h06
por redação/ Guia Taubaté

Em meio aos últimos anos de combate a epidemias como dengue, chikungunya e zika, alunos da Universidade de Taubaté (Unitau) desenvolveu uma pesquisa para entender a forma de transmissão do vírus da dengue por meio da via transovariana, ou seja, da mosquito-fêmea para a prole.

Durante oito meses, estudantes da instituição distribuíram trinta armadilhas para a coleta de larvas. O projeto contou com a parceria de estudantes da Escola Jardim das Nações. “Colocamos as armadilhas na Escola Jardim das Nações, no Campus do Bom Conselho, onde fica o Departamento de Biologia, e no Departamento de Odontologia, que fica no centro da cidade”, comenta a professora Sheila Cavalca Cortelli, docente da Unitau que orientou o trabalho e, atualmente, é Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação.

“Esses locais apresentam alto fluxo populacional e de alta densidade lavrária, cerca de oito vezes acima da situação de tranquilidade proposta pelo Programa Nacional de Controle de Dengue, do Ministério da Saúde”, comenta Alexsander de Moraes, ex-aluno de Ciências Biológicas e um dos autores do trabalho.

A coleta das larvas aconteceu semanalmente, entre os meses de março e outubro, e foram analisados 910 espécimes. Utilizando-se da Biologia Molecular, ou seja, da comparação das sequências genéticas, a equipe descartou a possibilidade da transmissão da fêmea para a prole. “Suspeitávamos que a transmissão transovariana pudesse ser a responsável pela manutenção do vírus, mas ela não foi confirmada”, comenta Alexsander.

“Se acontecesse essa transmissão vertical, da fêmea para a prole, dificilmente essas medidas preventivas mais comuns a que estamos acostumados nem sempre seriam efetivas”, afirma a professora Sheila, orientadora do trabalho.

Com a pesquisa finalizada, Alexsander escreveu um artigo científico que foi publicado na revista Canadian Journal of Microbiology. “Todo esse trabalho contribuiu para a minha aprovação em primeiro lugar no processo seletivo para o Mestrado em Imunologia Básica Aplicada, na USP de Ribeirão Preto”, complementa Alexsander.

Para os estudantes do Colégio Jardim das Nações, o desenvolvimento da pesquisa possibilitou o contato com laboratórios de Parasitologia e de Biologia Molecular da Unitau e eles também puderam aprender mais sobre metodologia científica.

O trabalho foi apresentado no Colégio Jardim das Nações e foi o vencedor da atividade de Projetos. “Foram 150 trabalhos inscritos e essa pesquisa ficou entre as 12 selecionadas. Os alunos puderam desenvolvê-la ao longo do ano e tiveram contato com todas as etapas de desenvolvimento de um projeto. O principal objetivo foi desenvolver autonomia do estudante frente aos desafios de realizar um trabalho de pesquisa”, afirma Maria Isabel Alvarenga Guimarães, professora de Biologia e coordenadora de vestibular do Colégio.

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