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Justiça mantém prisão de bombeiro acusado de matar estudante de Medicina em Taubaté

Marcos Paulo Fujarra de Oliveira passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (8); ele é acusado de matar Bruno Hashimura San Juliano após uma discussão de trânsito.

Por Redação Guia Taubaté 08/10/2026 15:15
Justiça mantém prisão de bombeiro acusado de matar estudante de Medicina em Taubaté
Com informações de TV Vanguarda. Foto: Arquivo pessoal TV Vanguarda

A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva do bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, acusado de matar a tiros o estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, em Taubaté. A decisão ocorreu após audiência de custódia realizada no início da tarde desta quinta-feira (8).

A audiência foi realizada após o cumprimento do mandado de prisão contra Marcos, na quarta-feira (7), em São Paulo.

O bombeiro foi levado inicialmente a uma unidade policial na região da Casa Verde, acompanhado por um oficial e em um veículo do Corpo de Bombeiros. Depois dos procedimentos policiais, passou pelo Hospital da Polícia Militar e foi encaminhado ao Romão Gomes, presídio militar localizado na Zona Norte da capital. Ele chegou à unidade por volta das 14h30.

A prisão preventiva havia sido determinada pela Justiça após recurso do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A ordem já havia sido expedida anteriormente, mas não pôde ser cumprida durante o período de restrição previsto pela legislação eleitoral. A prisão passou a ser permitida a partir da tarde de terça-feira (6).

O MP-SP denunciou Marcos por homicídio qualificado pela morte de Bruno. A denúncia foi apresentada na terça-feira (6) e ainda precisa ser analisada pela Justiça.

O Ministério Público aponta duas qualificadoras: motivo fútil, por considerar que o crime ocorreu após uma discussão de trânsito, e recurso que dificultou a defesa da vítima, sob a alegação de que Bruno teria sido surpreendido pela ação do bombeiro.

Segundo a investigação da Polícia Civil, Marcos saiu do Jeep Renegade que dirigia, foi até o carro de Bruno, quebrou o vidro da porta do motorista e atirou contra o estudante. Bruno foi atingido por quatro disparos, no pescoço, no tórax e no braço esquerdo, e morreu no local.

A Polícia Civil concluiu o inquérito em 2 de outubro e também indiciou Marcos por homicídio qualificado.

Novo depoimento

Um novo depoimento prestado à Polícia Civil reforçou a versão de que Marcos teria iniciado a abordagem contra Bruno. Segundo a testemunha, os dois carros estavam parados em um semáforo na Avenida do Povo quando o motorista do Jeep teria gritado para o estudante descer do veículo.

Ainda de acordo com o depoimento, Marcos teria quebrado o vidro do carro com o cotovelo, levantado a camiseta, sacado uma arma preta e feito cinco disparos contra Bruno.

A testemunha afirmou que não viu uma reação agressiva da vítima antes dos tiros e disse não ter visto Bruno portar qualquer objeto ou arma. O depoimento foi anexado ao processo.

Uma fotografia obtida pelo g1 também mostra um canivete encontrado dentro do carro de Bruno. O objeto tem cabo azul e parte cortante prateada e aparece próximo a estilhaços de vidro.

O canivete foi apreendido durante a investigação e encaminhado para análise. A Polícia Civil não encontrou uma arma de fogo com Bruno.

A existência do canivete é citada na versão apresentada por Marcos. Segundo o bombeiro, ele acreditou que estava sendo ameaçado e afirmou ter agido em legítima defesa.

Defesa

Desde o início da investigação, a defesa de Marcos sustenta que ele agiu em legítima defesa. O bombeiro afirmou que acreditou estar sendo alvo de uma tentativa de assalto e que viu um objeto que teria parecido uma arma.

Após a denúncia do MP-SP, a defesa informou, por meio de nota, que adotará as medidas cabíveis e apresentará suas manifestações e teses defensivas no processo, respeitando o contraditório e a ampla defesa.

O caso

Bruno Hashimura San Juliano era estudante do quarto semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Ele foi morto na tarde de 30 de setembro, após uma discussão de trânsito.

Imagens de câmeras de segurança mostram os dois veículos trafegando lado a lado pela Avenida do Povo minutos antes do crime. Em um dos registros, os carros se aproximam da entrada de um túnel e há uma disputa por espaço entre os veículos. Pouco depois, os dois aparecem novamente próximos em outro trecho da avenida.

A investigação aponta que, posteriormente, Marcos saiu do veículo, foi até o carro de Bruno e disparou contra o estudante.

Após os tiros, Bruno saiu do carro pelo lado do passageiro, tentou fugir e caiu. Ele morreu no local.

A família e amigos de Bruno realizaram manifestações e atos em pedido de Justiça após a morte do estudante. Uma semana depois do crime, colegas também prestaram homenagens durante a retomada das aulas na Faculdade de Medicina da Unitau.

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