A gestão 2026–2030 da Universidade de Taubaté (UNITAU) completa, neste mês de outubro, os primeiros 100 dias à frente da Instituição. Iniciado em 3 de julho, o período é marcado pelo início da implantação de propostas apresentadas pela reitora, Profa. Dra. Leticia Maria, e pela continuidade de projetos.
Com o lema “Tempo de Cuidar”, entre as ações iniciadas estão a criação de uma nova forma de governança baseada em indicadores, o programa Saúde e Bem-estar para servidores, a criação do Centro de Formação Continuada, o Programa Nossa Excelência, a ampliação das ações de internacionalização, a estruturação de uma política institucional para o uso da inteligência artificial e projetos voltados à modernização dos espaços da Universidade.
Para a reitora, uma das características dos primeiros meses foi conciliar a implantação da nova gestão com a continuidade das atividades de uma Universidade que estava em pleno funcionamento.
“Nós tivemos avanços importantes, mas acho que o mais importante é que a Universidade não parou. Nossa gestão se iniciou na metade do ano e tivemos o compromisso de concluir projetos que já haviam sido iniciados e que ainda estão em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que conseguimos implementar novas ações”, afirma.
Gestão compartilhada e decisões baseadas em dados
Uma das primeiras mudanças foi a instituição de um Comitê de Governança, que começou a orientar os setores na construção e no acompanhamento de indicadores. A proposta é utilizar dados para estabelecer metas, acompanhar resultados e colaborar com decisões ao longo da gestão.
O modelo também prevê ampliação da autonomia dos setores acompanhada de maior responsabilidade pelas atuações, fluxos e entregas. Segundo a reitora, tornar objetivos e metas mais claros permite que diferentes áreas compreendam como as atividades contribuem para os resultados institucionais.
“A Universidade é ampla, está presente em três cidades da região e conta com diversos setores. Para obtermos os resultados necessários é preciso que todos eles atuem de forma integrada e baseada em dados”, ressalta Profa. Leticia Maria.
Esse planejamento também está relacionado à conclusão do novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que deverá orientar a Universidade nos próximos quatro anos. Sustentabilidade financeira, acompanhamento de indicadores, revisão e otimização de contratos, recuperação da dívida ativa e equilíbrio entre receitas e despesas estão entre os temas considerados nesse planejamento.
“Tempo de cuidar” começa pelas pessoas
O lema escolhido para a gestão também começou a ganhar ações concretas. A Universidade estruturou um Programa Saúde e Bem-estar que reúne iniciativas anteriormente realizadas de forma isolada e prevê novas atividades destinadas a professores e servidores técnico-administrativos.
A proposta parte da relação entre condições de trabalho, qualidade de vida e a atividade-fim da Universidade.
“Quando falamos em cuidar, significa olhar para os nossos servidores técnico-administrativos e para os nossos professores, porque são eles que fazem a Universidade acontecer no dia a dia para entregar, na outra ponta, o ensino de qualidade ao nosso aluno”, explica a reitora.
O cuidado também chega aos espaços de convivência. Entre os projetos em andamento está a implantação do complexo esportivo do Campus Bom Conselho, demanda identificada durante a escuta da comunidade universitária.
O projeto já foi apresentado, aprovado e possui previsão orçamentária. A primeira etapa envolve a melhoria do refeitório e as tratativas para a reforma do espaço que receberá a academia; posteriormente, estão previstas a revitalização das quadras, do campo de futebol e a criação de quadras de areia.
Formação e qualidade de ensino
A qualidade de ensino aparece como eixo central das ações iniciadas nos primeiros 100 dias. Uma delas é a criação do Centro de Formação Continuada, que amplia a atuação para além da formação docente e passa a contemplar também servidores técnico-administrativos e gestores da Universidade.
A estrutura deverá promover capacitações para gestores de departamentos, coordenadores de cursos, diretorias e outros setores, com participação de especialistas da própria Universidade na elaboração das formações.
Outra iniciativa é o Programa Nossa Excelência, que incorpora a experiência do antigo Índice de Excelência dos Cursos de Graduação (Índex), e amplia o acompanhamento da qualidade dos cursos. A proposta combina indicadores quantitativos e avaliações qualitativas e busca envolver professores e demais integrantes da comunidade acadêmica na melhoria contínua da formação.
“Queremos estimular o senso de pertencimento, o orgulho que o professor tem em ministrar aula naquele curso, formando um ciclo virtuoso para que as pessoas se sintam pertencentes e responsáveis pela melhoria da qualidade”, enfatiza a reitora.
Tecnologia e inteligência artificial
A inteligência artificial (IA), apontada entre as prioridades no início do mandato, também avançou nos primeiros meses. Ainda nos primeiros 30 dias da gestão, foi instituída uma comissão multidisciplinar e multiprofissional para estabelecer parâmetros e orientações para o uso da tecnologia na Universidade.
O grupo trabalha na elaboração de normas relacionadas ao uso ético e pedagógico da IA por professores e estudantes. Paralelamente, a Universidade investe em infraestrutura tecnológica e comprou um novo data center, que deverá apoiar a modernização e a digitalização de processos administrativos.
A internacionalização também ganhou uma nova estratégia. As atividades do Escritório de Relações Internacionais foram ampliadas e a Universidade prepara a criação de uma rede de embaixadores nos cursos, com a função de aproximar os estudantes das oportunidades existentes.
Entre elas está o Programa Idiomas sem Fronteiras, que oferece acesso a cursos online em diferentes idiomas para alunos, professores e servidores.
Universidade mais próxima da região
Os primeiros 100 dias também marcaram ações para aproximar a produção acadêmica das demandas encontradas fora da Universidade.
Um dos projetos previstos no início da gestão, o Banco de Temas Regionais, começou a ser estruturado a partir do diálogo com diferentes instituições.
O primeiro movimento ocorreu com a Prefeitura de Taubaté, no Simpósio Conexão Taubaté, realizado em parceria entre as duas instituições para aproximar demandas do município de pesquisas, projetos de extensão e outras possibilidades de atuação da Universidade.
“Queremos responder efetivamente às demandas que a sociedade coloca. Isso passa pela pesquisa, por projetos de extensão, por ações conjuntas e também por uma reflexão sobre políticas públicas que possam atender à cidade”, afirma a reitora.
Outro avanço foi a inauguração do espaço físico do Núcleo de Divulgação Científica (NDC). A iniciativa busca ampliar a comunicação pública da ciência e aproximar da sociedade o conhecimento produzido por pesquisadores da UNITAU.
“A ciência precisa ser compartilhada para que seja entendida, valorizada e possa sempre evoluir. É importante que a comunidade consiga perceber como uma pesquisa pode mudar sua vida, seu dia a dia e melhorar suas ações”, destaca Leticia.
Próximos passos
Com pouco mais de três meses transcorridos de uma gestão de quatro anos, parte dos projetos ainda está em implantação. Para os próximos meses, a Reitoria aponta como prioridade consolidar as ações iniciadas e manter a qualidade de ensino como eixo das decisões institucionais.
A Universidade também prepara a reformulação do portfólio de cursos de pós-graduação e extensão, com novas formações nas áreas da saúde, tecnologia e inteligência artificial previstas entre o fim de 2026 e 2027.
“Se eu puder resumir aquilo em que precisamos manter o foco, é a qualidade do ensino. É isso que esta gestão vai perseguir incansavelmente. E, dentro desse objetivo, estão todas as outras frentes necessárias: investimento em tecnologia, formação continuada, internacionalização e modernização das nossas estruturas”, afirma a reitora.
Segundo a reitora, o planejamento para os próximos anos deverá conciliar esses investimentos à sustentabilidade financeira e à modernização da instituição.
A expectativa é chegar ao fim do mandato, em 2030, com “uma Universidade de excelência acadêmica, saudável, moderna e cada vez mais integrada ao desenvolvimento da nossa região”.