A Câmara de Taubaté rejeitou, nesta terça-feira (27), as contas de 2022 do ex-prefeito José Saud (PP). O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) já havia emitido parecer desfavorável à gestão fiscal daquele ano. Para aprovar as contas, eram necessários pelo menos 13 votos favoráveis, mas dez vereadores votaram pela aprovação e nove, pela rejeição.
Votaram a favor da aprovação Alberto Barreto (PRD), Boanerge dos Santos (União), Douglas Carbonne (Solidariedade), Jessé Silva (Podemos), Dentinho (PP), Neneca (PDT), Nunes Coelho (Republicanos), Edson Oliveira (PSD), Richardson da Padaria (União) e Bobi (PRD).
Já Ariel Katz (PDT), Bilili de Angelis (PP), Diego Fonseca (PL), Isaac do Carmo (PT), Moises Pirulito (Podemos), Nicola Neto (Novo), Talita (PSB), Vivi da Rádio (Republicanos) e Zelinda Pastora (PRD) votaram pela rejeição.
TCE apontou déficit de R$ 125 milhões e aumento das dívidas
Ao emitir parecer desfavorável às contas de 2022, o TCE apontou irregularidades como déficit orçamentário de R$ 125 milhões, aumento das dívidas de curto e longo prazo e atrasos nos repasses ao Instituto de Previdência do Município de Taubaté (IPMT). Segundo o tribunal, os atrasos geraram R$ 1,9 milhão em multas e juros.
Saud pediu ao TCE o reexame das contas e alegou que o déficit ocorreu devido à falta de repasses previstos pelos governos estadual e federal.
Ao analisar o pedido, o tribunal destacou que a Prefeitura arrecadou R$ 12,9 milhões a mais do que o previsto em 2022. Também apontou que o orçamento aprovado para aquele ano já previa um déficit de R$ 143 milhões, o que, segundo o órgão, contrariava desde o início o princípio do equilíbrio orçamentário.
“A municipalidade caminhou em direção totalmente diversa da gestão fiscal responsável”, afirmou o conselheiro substituto-auditor Valdenir Antonio Polizeli.
Saud defende gestão e critica parecer do TCE
Questionado pela reportagem sobre a rejeição das contas pela Câmara, Saud defendeu sua administração. “A nossa preocupação sempre foi com as pessoas”, afirmou.
Sem citar diretamente o nome do ex-prefeito Ortiz Junior (Republicanos), Saud atribuiu parte das dificuldades financeiras à dívida herdada da gestão anterior. Ele afirmou que buscou ampliar o crescimento da cidade e atender às demandas da população, citando medidas como a criação do cartão-alimentação, a oferta de sopa nos bairros, a ampliação do uniforme escolar, obras em áreas rurais e a atração de empresas para gerar empregos. Também mencionou o projeto do “carro voador”.
Saud ainda contestou o parecer do TCE. “Apesar do parecer desfavorável do colegiado (político), tivemos parecer favorável da parte técnica do TCE”, declarou. Ele afirmou acreditar que será lembrado pelas realizações de sua gestão.
Contas de 2023 também receberam parecer desfavorável
Em maio de 2024, a Câmara aprovou as contas de 2021 de José Saud, referentes ao primeiro ano de seu mandato.
Já em outubro de 2025, o TCE emitiu parecer desfavorável às contas de 2023 do ex-prefeito. Entre os apontamentos estavam déficit orçamentário de R$ 123 milhões, resultado financeiro negativo de R$ 257 milhões, ausência de repasses ao IPMT no valor de R$ 93 milhões e aumento das dívidas de curto e longo prazo — de 22% e 20%, respectivamente.
No caso das contas de 2023, o processo ainda não havia sido encaminhado pelo TCE à Câmara, conforme as informações disponíveis no texto.