Justiça nega pedido de prisão domiciliar para Roberto Peixoto
Perícia médica apontou sequelas de AVC, mas juíza entendeu que estado de saúde não impede cumprimento da pena em regime fechado.
Em 18/08/2026 17:10 por Redação Guia Taubaté
A Justiça rejeitou, nesta terça-feira (18), o pedido para que o ex-prefeito de Taubaté Roberto Peixoto voltasse a cumprir, em regime domiciliar, a pena de 10 anos e seis meses de prisão pela condenação por lavagem de dinheiro.
A decisão foi tomada após a realização de uma perícia médica. Com a negativa, Peixoto, de 75 anos, continuará preso em regime fechado na Penitenciária 2 de Potim.
Ao rejeitar o pedido da defesa, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da Vara de Execuções Criminais de Taubaté, afirmou que, embora o relatório médico indique certa gravidade no estado clínico do ex-prefeito, o quadro não seria suficiente para justificar a prisão domiciliar.
Segundo a magistrada, caso haja agravamento da condição de saúde, a administração prisional poderá adotar as medidas necessárias, incluindo tratamento externo e fornecimento dos medicamentos prescritos.
A juíza também afirmou que, apesar da debilidade apresentada, a permanência na prisão não impede que Peixoto continue utilizando os medicamentos e receba acompanhamento médico na unidade prisional.
A defesa do ex-prefeito informou que discorda da decisão e que pretende apresentar recurso às instâncias superiores.
Perícia apontou sequelas de AVC
A perícia médica foi realizada no dia 4 de agosto, na Penitenciária 2 de Potim, por determinação da Vara de Execuções Criminais de Taubaté.
Segundo o relatório, Peixoto apresenta redução da capacidade de compreensão, afasia, dificuldades motoras no braço e na perna direitos, além de dificuldades para compreender e executar comandos verbais.
O documento também aponta que ele caminha com auxílio, apresenta alterações na fala, perda de movimentos finos das mãos e labirintose estática.
Na penitenciária, Peixoto passa por acompanhamento médico para tratamento de hipertensão, alterações nos níveis de gordura no sangue, arritmia cardíaca e prevenção de novos acidentes vasculares cerebrais.
A defesa afirma que as condições de saúde são consequência de um AVC sofrido pelo ex-prefeito em março de 2021 e sustenta que ele não teria condições de permanecer no regime fechado.
Ex-prefeito voltou à prisão em julho
Peixoto foi preso em 31 de agosto de 2024, após ser condenado por lavagem de dinheiro. No dia seguinte, porém, a Justiça autorizou que ele cumprisse a pena em regime domiciliar, diante dos problemas de saúde apresentados pela defesa.
Em agosto de 2025, a Justiça determinou que o ex-prefeito voltasse ao regime fechado. A defesa apresentou recursos contra a decisão, mas os pedidos foram rejeitados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Peixoto voltou ao regime fechado em 15 de julho deste ano. Inicialmente, ficou na Delegacia Seccional de Taubaté e, dois dias depois, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim.
Condenação por lavagem de dinheiro
Segundo o Ministério Público Federal, Peixoto foi condenado criminalmente em dois processos, relacionados a fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
No caso da lavagem, a acusação aponta que o crime ocorreu por meio da compra de quatro imóveis e um carro, entre 2005 e 2007, com recursos provenientes de propina relacionada a contratos públicos.
Em agosto de 2016, a 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo condenou o ex-prefeito a nove anos e dois meses de prisão, em regime inicial fechado. Em janeiro de 2020, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região aumentou a pena para 10 anos e seis meses de reclusão.
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