Cesta básica registra alta em abril e compromete 35,8% da renda familiar no Vale do Paraíba
Levantamento da UNITAU aponta aumento de 1,11% no mês, com pressão maior nos alimentos.
Em 04/05/2026 15:40 por Redação Guia Taubaté
A cesta básica familiar registrou aumento no mês de abril de 2026 no Vale do Paraíba, segundo levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (NUPES) da Universidade de Taubaté (UNITAU). O custo médio passou de R$ 2.872,38 em março para R$ 2.904,18 em abril, uma alta de 1,11%, a maior variação mensal desde março de 2025.
O aumento representa um acréscimo de R$ 31,80 no orçamento das famílias e reflete, principalmente, a elevação nos preços dos alimentos, impactados por fatores sazonais, como entressafra e redução da oferta.
De acordo com o levantamento, todas as cidades analisadas apresentaram aumento no período. São José dos Campos registrou a maior alta (+1,85%), enquanto Taubaté teve a menor variação (+0,40%). Campos do Jordão segue com a cesta mais cara da região, ao custo de R$ 3.073,61, enquanto Taubaté apresentou o menor valor, de R$ 2.806,87.
Outro dado que chama atenção é o impacto no orçamento familiar. Em abril, o comprometimento da renda com a cesta básica chegou a 35,83%, acima dos 35,44% registrados em março. Como não houve reajuste do salário mínimo no período, o aumento reduz a parcela disponível para outras despesas, como saúde, transporte e educação.
Pressão dos alimentos puxa alta
O grupo de alimentação segue como principal responsável pelo custo da cesta, representando mais de 90% do total. No mês de abril, os alimentos tiveram alta de 1,16%, puxando o índice geral.
Entre os produtos que mais subiram estão:
- Cenoura (+31,30%)
- Cebola (+18,85%)
- Batata inglesa (+14,30%)
- Leite longa vida (+13,93%)
- Tomate (+8,57%)
As altas estão relacionadas à entressafra, condições climáticas e aumento nos custos de produção e transporte.
Por outro lado, alguns itens apresentaram queda de preço, como:
- Abobrinha (-14,77%)
- Mamão formosa (-8,02%)
- Laranja pera (-5,83%)
- Banana nanica (-4,31%)
- Couve (-4,20%)
Carne bovina em alta no ano
Outro destaque do levantamento é a valorização da carne bovina. Em abril, o preço médio chegou a R$ 54,47 o quilo, com alta de 4,07% no mês e mais de 11% no acumulado do ano.
O movimento é explicado pela combinação de oferta mais restrita, custos elevados e aumento da demanda, tanto no mercado interno quanto externo. Já carnes alternativas, como frango e suína, apresentaram queda de preços, influenciadas pela maior oferta e menor demanda internacional.
Estabilidade no acumulado de 12 meses
Apesar da alta recente, o levantamento aponta estabilidade no acumulado de um ano. Entre abril de 2025 e abril de 2026, a cesta básica teve queda de 0,92% no Vale do Paraíba, indicando que o aumento atual ocorre após um período de preços mais baixos no segundo semestre de 2025.
Para os pesquisadores, o cenário reforça a percepção de custo elevado por parte da população, especialmente no início do ano, período em que os preços costumam sofrer maior pressão.
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