Uso do Mercato do Quiririm é discutido na Câmara de Taubaté
A concessão do antigo Mercato Della Colônia Agrícola do Quiririm para uso por empresas, empreendedores ou entes públicos interessados naquela área foi pauta de audiência na Câmara de Taubaté nesta última quarta-feira (26).
Em 28/08/2026 17:30 por Redação Guia Taubaté
A concessão do antigo Mercato Della Colônia Agrícola do Quiririm para uso por empresas, empreendedores ou entes públicos interessados naquela área foi pauta de audiência na Câmara de Taubaté no dia 26 de agosto.
Responsável pela audiência, o vereador Douglas Carbonne (SD) explicou que neste primeiro momento está em discussão o projeto de lei 91/2026, que autoriza a Prefeitura a conceder o direito de uso do imóvel por 35 anos, e após a aprovação do projeto deverá haver outra audiência para debater as regras da concessão.
“A gente quer outra audiência a partir do momento que fizer o edital da concessão. A Comissão de Justiça, muito prudente, ficou atenta à Lei de Licitações, que fala em 35 anos, e não pode renovar. Quem for à concessão saiba que vai ficar por 35 anos, mas não há renovação, porque a legislação é assim. Acho muito legal essa construção com a sociedade, hoje a gente está ouvindo várias pessoas, e o mais importante é entregar aquele patrimônio à população, não pode ficar fechado do jeito que está”, afirmou Carbonne.
O vereador acrescentou que o projeto inicial previa a concessão por 25 anos, renovável por 25 anos, porém, uma emenda da Comissão de Justiça ajustou o texto à Lei de Licitações e Contratos, fixando prazo máximo de 35 anos para esse tipo de concessão.
Entidades ligadas à preservação e história do Quiririm defenderam o uso consciente do imóvel. A diretora da Societtà 30 di Aprile, Maria Rosa Pistilli, disse ser favorável à concessão, desde que haja garantias da preservação arquitetônica do espaço.
“Não somos contra a modernidade, desde que ela não derrube um tijolo do nosso patrimônio histórico. A conservação dos arcos do Mercato, aquela estrutura que está necessitando de restauração, não abrimos mão de jeito nenhum. Já perdemos alguns casarões - inclusive, o último que perdemos foi o casarão da família Gadioli, a um quarteirão da minha casa. Nós lutamos pela conservação daquele patrimônio, mas não conseguimos. Os vizinhos enviaram um vídeo para a gente da destruição do casarão durante a noite, as máquinas entraram e derrubaram um casarão centenário. Vou lutar com unhas e dentes, sou descendente de italianos, amo Quiririm, e o que chama atenção para o distrito são as cantinas e, logicamente, aquele ar bucólico, antigo, daqueles casarões que permanecem em pé”, disse Rosa.
A presidente do Conselho Municipal de Turismo, Elisa Surnin Saes, concordou com esse entendimento e acrescentou a possibilidade de geração de renda.
“Hoje estamos discutindo a concessão. O projeto de modernização vai ser feito futuramente, todos terão direito de opinar. Aquilo lá é a Meca do turismo, inclusive para entrar dinheiro no Quiririm, para preservar o que temos. Por lá, neste momento, estão passando 200, 300 carros por hora, tanto indo quanto vindo, que nem sabem que existe Taubaté, não sabem que existe Quiririm. Nós, preservando aquilo, queremos atrair turistas para nós, para entrar dinheiro, inclusive ISS para a Prefeitura, para termos como conservar aquilo. Se for aprovado aqui, no futuro faremos dezenas de reuniões até todos poderem opinar e ser feito de acordo com a vontade da maioria”, completou Elisa.
Sobre a preocupação relacionada ao patrimônio, o secretário de desenvolvimento econômico, Alexandre Calil, garantiu que tanto história, identidade e cultura estarão garantidos no edital de concessão.
“A concessão nada mais é que uma parceria público-privada do município com um ente privado que vai administrar melhor. A Prefeitura sabe o que fazer, e sabemos que não somos os melhores para gerenciar um espaço daquele, a Prefeitura não é especialista em gastronomia, entretenimento, história e cultura. Entendemos que tem gente muito mais capacitada do que a Prefeitura para fazer um espaço mais atrativo para região, vai gerar emprego e renda para o município, para o entorno do Quiririm. A preservação, a porta de entrada, o centro turístico, tudo isso pode ser previsto no edital, podem ser as condições para que aquele lugar receba os investimentos”, afirmou Calil.
A integrante da Associação das Tradições Italianas de Quiririm, Sheila Castro, sugeriu que a concessão seja atribuída à Associação, tema que o secretário disse que levaria para estudos.
O vereador Nicola Neto (Novo) participou da audiência.
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